Acerca do casamento do Daniel e da Polly em 2003

Acerca de uma linda celebração do Amor
Até a geração de nossos pais, as mulheres, os
homens e as crianças se reuniam à beira do fogão para
guardar as histórias familiares, agora é nos teclares do
computador que perpetuam nossas sagas.


Há um ano, pretensiosamente, me fiz cronista trazendo algumas evocações do casamento do Cássio e da Ângela. Meus bosquejos de então foram completados pela Tize, que competência trouxe detalhes de moda e também pelo Daniel que evocou cenas do making off daquele muito recordado kerb julino. Considerando que, então, a repercussão mais distante foi da Guga, do outro lado do mundo, e que uma vez mais a temos como embaixadora da família na Austrália, me aventuro em fazer um novo relato, para ela e para outros dos nossos que por diferentes razões não puderam estar conosco. Corro o risco de ser muito repetitivo, até porque o mote e os cenários desta croniqueta são quase os mesmos.

Nossas agendas, por quase um ano esperavam por um convite já assoprado em julho do ano passado. O Daniel e a Pollyana catalisariam um bis à festa e tornariam uma instituição familiar os encontros no segundo em Curitiba no fim de semana de julho. A propósito, como o Fábio já garantiu sua colaboração ao plano em 2006 e Bárbara não deus esperanças para 2004, os prognósticos são que começamos ter alguns batizados a comemorar em julhos adventícios.

Mas eu recordava das expectativas de convite. Mesmo que reservadamente se soubesse da data e até de alguns detalhes da festa, no final de maio, finalmente, chegou o esperado convite. Realmente, tratava-se de apenas uma ratificação do sabido e por isso a mensagem nem precisava trazer nomes. Alguns ícones nos davam a entender quem eram os noivos e os seus pais, todos perenemente guris e gurias, recém chegados nos vinte anos. Fotos secretam idades.

Repito o que dizia há um ano. Cada um dos privilegiados que acorreu a Curitiba tem diferentes registros de suas emoções; trago algumas das minhas. Assim como aqueles de nós que somos da geração os que são os filhos e filhas da Dona Veni e do seu Beto e da dona Maria e do seu Oscar sabemos muito pouco das festas dos casamentos deles e nada das bodas de nossos avós, imagino o quanto os netos ou netas da Polly e do Daniel, se um dia encontrarem este texto, terão alegrias em saber o quanto foi motivo de alegrias para muitos de nós o 12 julho de 2003. Navegar entre as emoções é preciso! Por isso esse registro.

A Gelsa e eu chegamos em São José dos Pinhais, quando já passava das 11 horas, da manhã de sábado. O dia era ensolarado e frio e ainda havia vestígios do temporal que no domingo fizera a região metropolitana de Curitiba branca de granizo; por exemplo, um avião de uma companhia peruana ainda estava adernado na pista desde então. Éramos, carinhosamente, esperado pelo Cássio, que nos dava as primeiras informações acerca dos que já haviam chegado no sábado. Talvez o anúncio que mais nos tenha alegrado foi o que a Clarinha viera na noite anterior. Também o Paulo e a Lyzane chegaram na sexta. Aliás, o esquadrão precursor, junto com a delegação cardosina de Montenegro, bisaram o café modelo Tile no entardecer de sexta, como no ano anterior. O Cássio, também nos fez relatos dos incidentes que ocorreram com Emar e a com a Tize, que não puderam embarcar em Campinas com a Lívia e com a Júlia, pois as certidões de nascimento das meninas não estavam autenticadas. Mas fomos confortados com a notícia que o quarteto de Holambra já estava a caminho.

O Cássio nos levou ao Hotel Del Rey, onde por primeiro estranhamos não recebermos, como no ano anterior o detalhado roteiro informativo nos dera as boas vindas e nos ensinava acerca da agenda e das atrações da Capital Ecológica. Soubemos depois que a recepção do Hotel inadvertidamente dera todo o material para o Paulo.

Instalados com mordomias cardosinas na suíte 902 do Del Rey, soubemos que a chegada dos casais Clarissa-Carlos e André-Tatiana, que deixaram Porto Alegre no anoitecer de sexta-feira, com pousada na Guarda, seria retardada e assim não estariam conosco para o almoço, como combináramos, pois a viagem começara mais tarde pela manhã em Santa Catarina.

A Gelsa e eu almoçamos assim sem companhia de nosso quarteto e depois dedicamo-nos a uma gostosa sesta. Era preciso prevenirmos para a noitada que se anunciava prenhe de comemorações.

Um pouco depois das 17h, o lobby do Hotel del Rey acolhia as emoções de uma primeira leva de reencontros. Foram momentos de muita alegria e descontração. Se há um ano era o primeiro estar com os irmãos sem o Sirne, agora, para alguns de nós era o primeiro encontro com o clã dos Cardoso sem o Oscar, que no ano passado, ainda tanto nos alegrara com sua presença sempre tão fraterna e que em dezembro partiu. Imaginávamos, o quanto para a Estela, o momento era particularmente difícil. Dizíamo-nos então, que tínhamos que aproveitar, por estarmos em um encontro que tinha a marca da alegria. E era muito bom então poder festejar.

Em um grupo de uma dúzia de alegres convivas fomos para a igreja em uma van, onde o Jaime não era apenas o atento co-polito e cobrador, mas também um gentleman cuidando que ninguém fosse esquecido e que todos estivessem confortáveis. O frio já despertava em alguns a prelibação dos vinhos que seriam servidos na festa. Quanto as indicações turísticas acerca dos lugares por sonde passávamos, a maioria tinha a mesma informação: parece que estamos perto da casa da Tile e do Otelo.

Chegados à bonita igreja de Santa Maria Goretti novos reencontros, aonde a simpatia da acolhida era feita pelo noivo que extravasava felicidades. O que escrevia há um ano, quando comentava o casamento do Cássio e da Ângela: A Tile recebe o troféu de mãe de noivo mais bonita dos últimos 50 anos. [...] Mais de uma pessoa perguntou se o noivo estava entrando com uma irmã mais moça, sem exagero poderia ser repetido aqui e agora. Realmente não parece que ela já vai fazer 48 anos no mesmo dia que o Paulo se torna um sessentinha.

Às 18h de uma fria noite de inverno iniciou a cerimônia. Os desfiles, digo a procissão de entrada do noivo com sua jovem mãe e das madrinhas e padrinhos foram imponentes e harmoniosamente emoldurados por uma orquestra de câmara que na abertura nos brindou com Pachbel. A entrada da noiva foi um momento muito emocionante. Não sei dizer quem estava mais bonito: a Polly ou o vestido. O momento que o pai a entregou para o Daniel foi emocionante. Acerca da cerimônia cabe um comentário dissonante: o padre que anunciara que seria discreto, deixando os destaques aos ministros do sacramento: os noivos, foi contaminado pelo vírus marcellusrossi, e quis brilhar mais que uma vedete. Mas o Daniel e a Polly não se amofinaram com suas gracinhas e deram à cerimônia religiosa a postura litúrgica que o momento exige. O Pedro Afonso, com seu luzidio fraque, e as petites dames d’honour trouxeram novas emoções quando adentraram com as alianças.

Depois da cerimônia religiosa fomos à Santa Felicidade. Lá no restaurante Porta Romana houve uma confraternização no mais exato sentido da palavra. A alegria envolvia as centenas de amigos e familiares dos noivos. Então, uma vez mais a marca registrada dos nubentes: os dois educadores irradiando felicidade se dirigiram aos presentes e fazem uma linda homenagem aos seus pais que a todos comoveu.

O cardápio era esmerado e muito saboroso, mas a marca maior era descontração catalisada pelos noivos. Um dos momentos muito bonitos foi aquele em que dezenas de pares se envolveram nas danças, onde a contemplação da sedução recíproca entre o Daniel e a Polly era motivos de fazer-nos entrar ainda mais no embalo romântico da festa.

Já era domingo quando, seguindo o diligente e muito oportuno comando do Jaime, deixamos a Porta Romana e buscamos o aconchego do hotel. Soubemos que muitos ficaram até quase o nascer do sol. O André, autor da foto que ilustra este texto, deu testemunhos oral e fotográfico do quanto a alegria foi intensa por muitas horas.

Na manhã de domingo muitos de nós confraternizamos mais uma vez no desjejum do Hotel De Ville, onde era bonito ver a alegria da Dona Veni vibrando com a continuação da festa. Foi bom estar ali também muito especialmente irmãos, filhos e amigos.

A Gelsa e eu fizemos na manhã de domingo, antes do almoço familiar de despedida, um tour muito movimentado. Primeiro, levados pelo Cássio e Ângela fomos conhecer o apartamento deles, que naquela manhã estava lindamente decorado com rosas que marcavam a celebração do 1 ano de casamento. Ainda com eles fomos conhecer a QualityWare, que nos impressionou pela arrojada concepção. Estivemos em seguida na SS420, talvez numa quase despedida, pois os anúncios, com conhecimento do projeto dos 21º e 22º andares do Tarsila do Amaral, que conhecemos externamente, é uma promessa empolgante. Na SS420 nos encantou também os ramos de orquídeas que vieram de Holambra. Fomos ainda conhecer o acolhedor apartamento da Bárbara que nos permitiu conviver um pouco mais com Pedro Afonso, que nos levou para conhecer a sua escola.

Mas as festas continuavam. Nos encontramos os Cardoso e os Chassot e também o Reinaldo e Rosa no salão de festa do edifício do Daniel e da Pollyana. O prato principal era uma surpresa para muitos: barreado, que não vou descrever aqui para não dar água na boca naqueles que lêem este texto e não puderam estar conosco. Além de um texto escrito acerca das tradições do prato, a receita e longo preparo, o Otélo, que não entende apenas de vinho, deu uma aula de como saborear o prato. Detalhes podem ser encontrados no sítio www.barreado.com.br

O almoço dominical determinava também separações, pois se aproximava a hora de diferentes partidas. Primeiro foram os noivos que receberam de todos, mais uma vez, votos de felicidades. Nos despedimos especialmente da Clarissa-Carlos e André-Tatiana que partiam para São Paulo para estar com Maria Antônia no seu quarto aniversário que ocorria dois dias depois. O Cássio e Ângela nos levaram ao aeroporto onde tivemos a alegria de encontrar os noivos que partiam para Natal.

Soubemos depois que tivemos sorte de ainda voar naquele início de noite. A delegação montenegrina e também o Paulo e Lyzane tiveram que ficar mais uma noite em Curitiba, por problemas meteorológicos.

Na véspera do casamento o pai, se vivo fosse estaria fazendo 97 anos. Escrevia então que não era difícil imaginar a alegria dele tendo perto a mãe, o Sirne e o José Maria, vendo as emoções dos outros filhos e filhas, noras, genros, netos e netas se preparando para em Curitiba comemorar as bodas do Daniel e da Pollyana. Muito certamente nosso quarteto celestino deu "uma descidinha" e viu o quanto a Tile e o Olelo são cada vez mais especiais em receber bem. Realmente foi muito bom ter estado em Curitiba para celebrar a maneira bonita como a Daniel e a Pollyana se querem bem. E isso faz muito bem para a alma.


 

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